Nànà Buruku, a Deusa dos mistérios é uma divindade de origem simultânea à criação do mundo, pois quando Odudua separou a água parada, que já existia, e liberou o saco de criação a terra, no ponto de contato desses dois elementos formou-se a lama dos pântanos, local onde se encontram os maiores fundamentos de Nànà.Senhora de muitos búzios, Nànà sintetiza em si morte, fecundidade e riqueza. Seu nome designa pessoas idosas e respeitáveis e, para os povos jêje, da região do antigo Daomé, significa mãe.

Sendo a mais antiga divindades das águas, ela representa a memória ancestral de nosso povo; é  a mãe antiga (Ìyá Agbà) por excelência. É a mãe dos orixás Iroko, Obaluayê e Oxumare, mas por ser a deusa mais velha do Candomblé é respeitada como mãe de todos os outros orixás.

Nànà é o princípio, meio e o fim; o nascimento, a vida e a morte. Ela é a dona do Axé por ser o orixá que dá vida e a sobrevivência, a senhora dos Ibás que permite o nascimento dos deuses e dos homens . 

Nànà espírito dos mananciais, poderosa dona dos búzios!!!
   

 As águas paradas e lamacentas dos pântanos tem uma aparência morta e a primeira vista ninguém imagina que por trás daquelas águas possa existir a vida, que sobe a benção de Nànà a vida de plantas de grande fundamento como o oxibatá e oju-oro é possível. Essas plantas buscam nas profundezas das lagoas, na lama, a vida e o sustento. Nànà é a alma da água que permite ao oju-oro e ao oxibatá nascer, viver e florescer.

Entre os símbolos de Nànà está o ibiri, que é feito com palitos do dendezeiro e nasceu junto com ela, na sua placenta. Ele representa a multidão de egum, que são seus filhos na terra dos homens, e Nànà o carrega como  mimasse uma criança. Os búzios que simbolizam morte por estarem vazios e fecundidade porque lembram os órgãos genitais femininos, também pertencem a Nànà. 

Contudo, o símbolo que melhor sintetiza o caráter de Nànà é o grão, pois ela domina também a agricultura e todo o grão tem que morrer para germinar.

Nànà assegura uma vida saudável e com bastante força àqueles que a agradam; pode ajudar na maternidade, principalmente quando tudo indicam que a criança não vai vingar, mas sua principal função é garantir o grão e o pão de cada dia a todos os que merecem.

Nànà não roda na cabeça de homem, aliás, Nànà abomina a figura masculina, pois o homem, através do esperma, líquido que símbolo de Oxalá, semeia o óvulo e gera uma nova vida. Nànà é a morte que reside no âmago da vida, que possibilita o renascimento. A vida e tudo que a representa - o esperma (homem ) e o sangue - são considerados tabus para Nànà.

 

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